Maricá apresenta grande variedade de paisagens. Nas áreas de planície predominam os contornos típicos das baixadas da Região dos Lagos, enquanto nas áreas de planalto sobressaem os maciços costeiros (CPRM, 2009). As principais serras são: Calaboca, Mato Grosso (onde fica o ponto mais alto do município – o Pico da Lagoinha, com 890 metros), Lagarto, Silvado, Espraiado, Camburi e Tiririca.
O município apresenta um grande complexo lagunar que abrange as lagoas Brava, de Maricá, da Barra, do Padre, Guarapina e Jaconé, além dos canais artificiais de Ponta Negra e da Costa (Itaipuaçu), que ligam as lagoas ao mar e que serviram para baixar o nível da lâmina d’água natural das lagoas.
Nas áreas que compreendem as planícies costeiras, predominam as restingas, um ecossistema associado à Mata Atlântica, caracterizado por dunas cobertas de vegetação mais espalhada, com plantas de pequeno porte e espinhosas, várias delas rasteiras e fixadas na areia da praia. No caso de Maricá, a restinga possui uma faixa arenosa com 42 quilômetros de extensão e largura variável, que acompanha o litoral desde a Ponta de Itaipuaçu, a leste, até a de Jaconé, a oeste.
A ausência do poder público na fiscalização e controle do uso da terra, mineração e urbanização, a falta de fiscalização permanente do patrimônio ambiental e a crescente devastação das áreas de restinga e manguezal, decorrentes das queimadas e desmatamentos para invasão e construção de casas e condomínios, foram sinalizadas pelos participantes do Fórum como ameaças à sustentabilidade do município, especialmente pela fragilidade dos ecossistemas ali encontrados. Segundo os participantes do Fórum, os recursos naturais do município estão abandonados.
Outras queixas são a falta de políticas ambientais integradas, para o uso e ocupação do solo incluindo o controle social, a invasão urbana nas Unidades de Conservação (UC) e a perda do solo pela erosão.
Também foram mencionadas a existência de uma pedreira ativa, localizada na Serra do Calaboca, e de outra desativada, na Serra da Tiririca, e a mineração irregular de saibro e areia nas restingas e em parte da área rural, além da exploração exacerbada em Inoã e na antiga Fazenda da Manchete, em São José, na área da Lagoa Brava, apesar de inúmeras denúncias a todas as esferas públicas responsáveis.
O grupo constata também grande número de turistas nos fi nais de semana, oriundos de outros municípios, que degradam a restinga, devido ao estacionamento irregular de veículos sobre sua vegetação, às fogueiras que acendem e ao lixo que geram, principalmente com garrafas PET, sacolas plásticas e resíduos orgânicos.
Uma das características mais expressivas da região são as áreas com possibilidade de proteção e de desenvolvimento. Segundo pesquisa realizada pelo Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Lima/UFRJ, Maricá apresenta 50% de seu território cobertos por remanescentes f lorestais de Mata Atlântica. De acordo com a classificação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), de 1998, o município possui 35% de seu território protegidos por Unidades de Conservação de proteção integral. Esta área corresponde a parte do Parque Estadual da Serra da Tiririca, na divisa com o município de Niterói, e da recém-criada Unidade de Conservação de Serra do Mar.
As Áreas de Proteção Ambiental (APA) de Maricá e Mar abrangem cerca de 16% do território das Unidades de Conservação de Uso Sustentável, com vegetação em razoável estado de conservação. Essas duas localidades estão inseridas no corredor ecológico da Serra do Mar, consideradas prioritárias à preservação da Mata Atlântica (Conservação Internacional do Brasil, 2009), sendo partes integrantes da Reserva da Biosfera de Mata Atlântica.
Segundo o grupo, faltam estudos das áreas florestais ainda preservadas como forma de encontrar meios de mantê-las com o uso adequado de suas potencialidades. Faltam informações para divulgar as atividades proibidas nas Unidades de Conservação.
O Centro de Inteligência e Combate de Crimes Ambientais (Cicca) da Secretaria de Estado do Ambiente, apoiado pela Guarda Municipal Florestal e por fiscais da Secretaria Municipal do Ambiente e Urbanismo, desempenha uma função importante no combate aos crimes ambientais em Maricá.
A escassez de estudos nas áreas ainda preservadas, voltados para o manejo sustentável dos recursos naturais, e a falta de campanhas contra o desmatamento e pela valorização do meio ambiente colaboram para a ausência de ações estratégicas para a preservação dos recursos naturais no município.
O desmatamento na região avança sobre trechos pequenos e médios da Mata Atlântica que já estão isolados entre si, reduzindo as chances de conectá-los a fragmentos de vegetação mais extensos e, portanto, ecologicamente viáveis. Mesmo estas áreas florestadas mais extensas estão sendo afetadas pelo desmatamento. Outro fato importante é que foram registrados desmatamentos no interior e em zonas de amortecimento das Unidades de Conservação.
Aliança para a Conservação da Mata Atlântica . Câmara Municipal . Comissão Pró Parque Estadual da Serra da Tiririca . Confederação Nacional de RPPNs . Conselho Consultivo do Parque Estadual da Serra da Tiririca . Conselho Gestor da APA de Maricá . Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica . Conservação Internacional do Brasil . CPRM . DNPM . Emater . Embrapa . Empresas associadas ao Comperj . Escola Nacional de Botânica Tropical . Fundação O Boticário de Proteção à Natureza . Fundação SOS Mata Atlântica . Ibama . IBGE . ICMBio . Inea . MMA . MP . ONGs . Pacto pela Restauração da Mata Atlântica . Prefeitura Municipal . Rede de Tecnologia Social (RTS) . SEA . Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo . TCE-RJ . Universidades . Veículos de comunicação local.
BVS&A . CNPq . Embrapa . Empresas associadas ao Comperj . Faperj . FNMA . Funbio . Fundação O Boticário de Proteção à Natureza . Fundação SOS Mata Atlântica . Fundo Municipal de Proteção e Conservação Ambiental (FMPCA) . ICMS Verde . Pibic . Programa Petrobras Ambiental.